É comum se dizer, no BDSM, que algumas mulheres possuem “almas submissas”, como se ser sub ou dom fosse algo determinado desde o nascimento.
Essa é uma visão muito pobre, em minha opinião.
Acho que são muitos os fatores que determinam a nossa identidade. E nossa sexualidade é um desses fatores. É como se, ao termos contato com algo, uma imagem, um termo uma forma de agir, nós nos descobríssemos. Não como algo pré-determinado, mas como algo que buscávamos e nem sabíamos que estava lá.
Comigo e meu lado dominador foi assim.
Na minha experiência de doze anos no BDSM, em muitas conversas com submissas e com alguns submissos, percebi um certo padrão. Não que todas as submissas e submissos obedeçam a este padrão, mas uma grande parcela deles parece se enquadrar nele.
A grande maioria das submissas que conheci ao longo dos anos vivem papéis de grande responsabilidade em suas vidas cotidiana. Normalmente em posições de comando. São médicas, advogadas, professoras, militares, chefes de setor, diretoras, gerentes, ou, quando são donas de casa, possuem responsabilidades sobre filhos, parentes, etc.
Ou seja, no dia a dia exercem constantemente o poder, e o peso que este acompanha.
Nada a ver com uma “alma submissa”, não concordam?
Então, ao meu ver, essas mulheres (e, possivelmente também os homens submissos) tem no BDSM a oportunidade de experimentar uma outra polaridade. Despir-se do poder e entregá-lo à alguém. Perder o controle. Estar a mercê de um outro. Muito do prazer da submissão advém desta sensação de entrega.
Cabe ao dom ou domme a quem é entregue este poder a responsabilidade pelo cuidado por quem se entrega a nós.