domingo, 31 de julho de 2016

Almas Submissas


É comum se dizer, no BDSM, que algumas mulheres possuem “almas submissas”, como se ser sub ou dom fosse algo determinado desde o nascimento.

 Essa é uma visão muito pobre, em minha opinião.

 Acho que são muitos os fatores que determinam a nossa identidade. E nossa sexualidade é um desses fatores. É como se, ao termos contato com algo, uma imagem, um termo uma forma de agir, nós nos descobríssemos. Não como algo pré-determinado, mas como algo que buscávamos e nem sabíamos que estava lá.

 Comigo e meu lado dominador foi assim.

 Na minha experiência de doze anos no BDSM, em muitas conversas com submissas e com alguns submissos, percebi um certo padrão. Não que todas as submissas e submissos obedeçam a este padrão, mas uma grande parcela deles parece se enquadrar nele.

 A grande maioria das submissas que conheci ao longo dos anos vivem papéis de grande responsabilidade em suas vidas cotidiana. Normalmente em posições de comando. São médicas, advogadas, professoras, militares, chefes de setor, diretoras, gerentes, ou, quando são donas de casa, possuem responsabilidades sobre filhos, parentes, etc.

 Ou seja, no dia a dia exercem constantemente o poder, e o peso que este acompanha.

 Nada a ver com uma “alma submissa”, não concordam?

 Então, ao meu ver, essas mulheres (e, possivelmente também os homens submissos) tem no BDSM a oportunidade de experimentar uma outra polaridade. Despir-se do poder e entregá-lo à alguém. Perder o controle. Estar a mercê de um outro. Muito do prazer da submissão advém desta sensação de entrega.

 Cabe ao dom ou domme a quem é entregue este poder a responsabilidade pelo cuidado por quem se entrega a nós.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Falsos Doms - O Dom Sexo Fácil



 Hoje começo uma série de posts que visam alertar às submissas, principalmente àquelas que estão adentrando no mundo do BDSM agora, sobre o perigo dos falsos doms que abundam no nosso meio.

 O Dom Sexo Fácil normalmente leu alguns alguns contos na internet, talvez tenha lido 50 tons de Cinza e, sem nenhuma leitura mais aprofundada sobre o tema, já se considera “O Dom”.

 A forma mais fácil de identificar este falso dom é na sua pressa. Ele tem muita pressa em saber tudo sobre a sub, pressa em encontrá-la, pressa em amarra-la, pressa em fodê-la.

 Se a submissa, por qualquer motivo, não corresponde a esta pressa, ele a deixa de lado, procurando uma “submissa de verdade” que queria “viver algo real” e não “só ficar de papinho na internet”.

 Caso não esteja claro, todas as afirmações entre aspas no parágrafo anterior são respostas típicas desse tipo de falso dom.

 Ao cair nas mãos desse falso dom, a sub terá uma experiência insatisfatória, normalmente será largada ferida emocionalmente e sem muito cuidado, tudo isso fruto da falta de conhecimento e experiência desse falso dom.

 Se começar algo dele, como palavras-chave, contrato, carinho, explicações, reciprocidade, etc. A sub receberá reprimendas como “uma sub não deve contestar um dominador”, “você ousa me dizer o que eu devo ou não devo fazer?”, “Eu não preciso de palavra-chave, eu so que estou fazendo”.

 Após algumas sessões, todas insatisfatórias, mero arremedo do que é uma verdadeira relação BDSM, este falso dom irá se distanciar, não ligará com tanta frequência e brigará se ela ligar, até desaparecer, por fim, em busca de outra mulher que lhe dê o que realmente procura: sexo fácil e sem qualquer responsabilidade ou compromisso para ele.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Eu sou um Monstro?

Doze anos atrás eu me descobri Dominador.

 Não foi meu primeiro contato com o BDSM. Contarei essa história em outra oportunidade, mas foi a primeira vez que eu descobri o que isso significava e me identifiquei com o papel de Dominador.

 Sempre gostei de ler contos eróticos e a internet me deu acesso a uma infinidade deles. (Vocês não imaginam como era difícil conseguir pornografia antes da internet, meninos e meninas). E foi explorando um site de contos eróticos que eu vi uma categoria chamada “sadomasoquismo” e resolvi dar uma olhada, apenas por curiosidade.

 Eu já havia ouvido falar do Marquês de Sade e sabia, tanto quanto um baunilha pode saber, do que se tratava, mas achei que as histórias ali me despertariam mais riso do que tesão. 

 Eu não podia estar mais enganado.

 Logo fui atraído pelas históricas de bondage, e me excitava com as cenas descritas, sempre me colocando no papel do Dominador.

 Meu tesão ia a mil!

 Mas também ia a minha culpa.

 Muitas vezes, após me masturbar lendo uma história dessas, sentia-me mal, como se estivesse me tornando algum tipo de monstro.

 Não parei de ler essas histórias, entretanto. Algo havia se libertado dentro de mim. E se recusava a ser aprisionado novamente.

 Com o passar do tempo fui notando que as histórias que me deixavam mal, algumas até com repulsa, eram as que envolviam alguma forma de sexo forçado ou violência de algum tipo (física ou moral), e as que me davam mais prazer eram exatamente aquelas onde a mulher também sentia prazer, preferencialmente participando de algum jeito com o que acontecia. Isso acalmou um pouco a turbulência que sentia em minha alma. Afinal, se os dois sentem prazer, que mal haveria?

 Apesar que eu duvidava que alguém sentisse prazer em meio àquelas torturas (tolinho que eu era, não é mesmo?).

 Entrei em um chat sobre o assunto e fui conhecendo pessoas que foram me apresentando este mundo. Indicaram-me sites onde poderia ler a respeito, e li avidamente.

 Descobri o SSC (que eu já tinha em meu coração, mesmo sem saber), as práticas, algumas com que me identifiquei e outras não, e também descobri coisas com as quais não concordei. Até hoje não concordo. Mas, mais importante, fui me descobrindo nesse processo.

 Eu não era um monstro. Eu sou um Dominador.

 Compartilho esta experiência aqui na esperança que venha ajudar outras pessoas que estão adentrando neste mundo e se fazendo perguntas similares. Sou um monstro? Estou louco? Será que isso é normal?

 Busque quem você é! Isso é o mais importante.