domingo, 30 de outubro de 2016

O Meu, O Seu, O Nosso Prazer

Poucos chavões me irrita mais no mundo BDSM do que “o meu prazer é o seu prazer.”

Esta frase costuma ser dita por mulheres submissas como uma demonstração de sua devoção e entrega a seus donos. Representa que o prazer delas está puramente em servir de instrumento para que estes tenham o seu próprio prazer.

Como se a submissa não tivesse direito ao próprio prazer.

Alguns doms reforçam essa crença ao repetir uma variante desse chavão: “O seu prazer deve ser o meu prazer.” Algo como “você deve ficar feliz em me servir.” o que acaba sendo uma forma desses dominadores se desresponsabilizam pelo prazer de suas submissas.

Aí é muito fácil, né?

Eu dou uns tapas e chicotadas. Sou chupado, fodo com força, gozo e a submissa que se dane. E ela que fique feliz com isso, afinal “o prazer dela é o meu prazer”. E infelizmente tem muito “dominador” por aí que pensa exatamente assim.

Acho que o ponto principal do BDSM está na relação estabelecida. E como uma relação, para além do meu ou do seu prazer, o foco deve ser o NOSSO prazer.

Como dominador, um dos meus prazeres é o de controlar as sensações da mulher que se entrega a mim. Causar-lhe dor, vergonha, medo e também prazer.

Inclusive há poucas coisas que me causam mais prazer do que conduzir uma mulher a um orgasmo avassalador e saber que fui o responsável.

O meu prazer não é o prazer dela.

O prazer dela não é o meu prazer.

Mas o NOSSO prazer é mútuo!

domingo, 16 de outubro de 2016

O que é sexo?

Outro dia vi uma pesquisa em que a maioria dos homens considera que sexo é apenas quando há penetração, mais especificamente quando um homem penetra uma mulher com seu pau, porque para a maioria dos homens apresentados nessa pesquisa penetração com dedo, língua e brinquedos não vale. Para começar essa é uma definição restritiva para caralho (com o perdão do trocadilho). Reduz o sexo à um único ato, à uma única forma, e à uma única combinação. Além de ser uma ideia muito da preconceituosa, é restritiva à beça. Chego a sentir pena desses homens. E mais pena ainda das mulheres que concordam com eles. Porque não se enganem, elas existem. Para mim? Para mim sexo vai muito além do pau ou da buceta ou do cu. Para mim sexo está nas preliminares, nos toques, nas bocas, nos sabores e odores. Mas também sexo está para além disso. Para mim sexo está no fetiche, na fantasia, no pensamento, na criação, mas também está para além disso. Sexo começa no olhar, na voz, no movimento, na menção ao toque. Se você nunca experimentou arrepiar ou ser arrepiado ou arrepiada por isso, você nunca soube o que verdadeiramente é sexo. Sinto muito.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Falsos Doms: O Dom RH

"Vejo aqui pelo seu currículo que você tem apenas uma experiência geral e básica de spanking. Bom, eu sinto informar, mas para poder preencher a vaga de minha submissa se faz necessária uma experiência avançada nesta área, além de uma especialização em canning."

A fala acima não é totalmente real, mas é bem próxima a recebida por algumas submissas com quem converso.

Essa é a fala do tipo de Falso Dom que eu chamo de "Dom RH", pois, assim como um profissional de recursos humanos em uma empresa, este falso dom quer alguém que se encaixe em todos os pré-requisitos para a vaga de sua submissa.

Este falso dom se considera muito experiente, e talvez o seja, mas lhe falta a paciência de acolher uma submissa não tão experiente, ou com experiências diversas da dele, para adestrá-la e introduzi-la a certas práticas ou ensiná-la sobre suas preferências (isso sem falar de descobrir as dela).

Também falta a este falso dom a humildade para reconhecer que BDSM é uma relação e que ninguém é dominador sozinho. Sendo assim, é preciso estar aberto para os limites e desejos da submissa a fim de poder ampliar as experiências desta relação que ambos vivem juntos.

Muitas vezes este falso dom não tem a experiência que tanto proclama. Preso a um ideal do que é uma "verdadeira relação BDSM". Com uma lista de requisitos que devem ser cumpridos para que a relação se enquadre em seu ideal.

A vantagem deste falso dom é que, normalmente, ele é fácil de se livrar. Basta não corresponder às suas muitas expectativas.

A desvantagem é a quebra na auto-estima da submissa que ele rejeita.

Então, submissa que estiver me lendo, se você já encontrou um "dominador" desses, quero lhe dizer: O problema não é com você! Algum dia você irá encontra o dominador que terá a paciência e a responsabilidade de te conduzir e adestrar da forma que te for mais prazerosa.

Termino esse post pedindo para que deixem dúvidas e sugestões nos comentários abaixo.

Grande abraço!

domingo, 25 de setembro de 2016

Práticas - Bondage

É a terceira vez que escrevo este post.

 Quando decidi fazer uma série de postagens sobre as práticas do BDSM eu sabia que precisava começar pelo Bondage. Simplesmente porque esta foi, possivelmente, a primeira prática a me atrair para este mundo. talvez até mais do que a dominação psicológica, sobre a qual falarei em um outro post.

 Então, qual o problema que me fez reescrever tantas vezes esse post sobre um assunto que tanto me interessa?

 A resposta é que preciso confessar uma coisa. Apesar de ser a prática que mais me fascina no BDSM, fascinação essa que vem de um tempo que eu nem sabia o que era nem como se chamava, considero que ao longo dos anos minha prática com ela foi deveras limitada.

 Pratiquei com algemas, lencóis, echarpes, fitas e similares, mas faltaram-me a coragem, o conhecimento e a oportunidade de me aprofundar no caminho das cordas que tanto marcam esta prática, e de aprender aquelas belas amarrações. Nem vou me atrever a falar aqui sobre o shibari, técnica similar ao bondage, mas muito mais complexa e de uma admirável beleza estética.

 Bom, se você veio aqui saber um pouco sobre essa prática, vou compartilhar o que sei e, no fim, terei um presente para você.

 Bondage é a arte da imobilização com finalidade erótica. Sua principal função é deixar a pessoa imobilizada (chamada de bondagê ou bondagette, mas aqui chamarei de submissa por uma questão de preferência pessoal) a mercê do/da bondagista (que chamarei de agora em diante de dominador pelos mesmos motivos).

 Em última instância, o bondage é uma entrega de controle sobre o próprio corpo.

 O dominador, de posse desse controle, pode realizar ou negar estímulos, utilizar de seus fetiches mais sádicos e/ou fazer uso de outras práticas sobre o corpo da submissa sem que esta tenha qualquer poder para impedí-lo (exceto, é claro, nossa boa e velha amiga, a palavra de segundaça.

 Outro uso do bondage, e aqui a minha supracitada falta de experiência resmunga, é o uso das cordas a fim estimular a submissa com nós bem colocados, amarrações ao redor dos seios e cordas que deslizem por áreas mais sensíveis do corpo dela a partir de seu, mesmo que limitado, movimento, principalmente quando este movimento visa ajustar-se a uma posição incômoda imposta por estas mesmas cordas.

 Entre as práticas comummente associadas ao bondage, e que ao longo do tempo comentarei aqui, estão:

 Spanking
Dominação Psicológica
Roleplay
Privação dos sentidos
Controle do Orgamo
Waxing (velas)
Entre Outras.




 Algumas precauções devem ser seguidas para a realização desta prática visando o “São, Seguro e Consensual”:

 Tenha uma relação de confiança mútua com a pessoa que irá te amarrar.
Estude antes de praticar.
Se você for imobilizar alguém pela primeira vez, comece devagar, não tente deixá-la totalmente imobilizada logo de cara. De preferência deixe formas de escapar que ela possa fazer sozinha.
Algumas pessoas tem dificuldade de lidar com cordas ou algemas de primeira. Use as roupas dela ou fitas. Essa dica é um complemento para a dica acima.
Com o tempo e a prática (tanto das cordas quanto da relação), poderá ousar mais. Como tudo no BDSM é uma questão de testar limites.
Se for usar uma mordaça, combine uma outra forma de “palavra de segurança” entre vocês. Um determinado movimento feito por uma parte do corpo que NÃO ficará imobilizada, por exemplo.
Se usar cordas, tenha uma corda a mão uma tesoura especial para cortá-las em uma situação de emergência.
Cuidado para não impedir a circulação.
Não comprima articulações.
Não deixe a pessoa amarrada sozinha. (nada impede de criar a ilusão que você a deixou, entretanto).

 Termino este post gigantesco por aqui, sabendo que estou longe de esgotar o assunto e prometo retomá-lo em um momento futuro.

 Deixem dúvidas e sugestões nos comentários abaixo e responderei tão rápido quanto possível.

 Por fim, deixo link para uma série de vídeos que encontrei no youtube com tutoriais passo a passo para a prática do bondage. Nunca é tarde para (re)começar a aprender.

 Grande abraço a todos.

domingo, 31 de julho de 2016

Almas Submissas


É comum se dizer, no BDSM, que algumas mulheres possuem “almas submissas”, como se ser sub ou dom fosse algo determinado desde o nascimento.

 Essa é uma visão muito pobre, em minha opinião.

 Acho que são muitos os fatores que determinam a nossa identidade. E nossa sexualidade é um desses fatores. É como se, ao termos contato com algo, uma imagem, um termo uma forma de agir, nós nos descobríssemos. Não como algo pré-determinado, mas como algo que buscávamos e nem sabíamos que estava lá.

 Comigo e meu lado dominador foi assim.

 Na minha experiência de doze anos no BDSM, em muitas conversas com submissas e com alguns submissos, percebi um certo padrão. Não que todas as submissas e submissos obedeçam a este padrão, mas uma grande parcela deles parece se enquadrar nele.

 A grande maioria das submissas que conheci ao longo dos anos vivem papéis de grande responsabilidade em suas vidas cotidiana. Normalmente em posições de comando. São médicas, advogadas, professoras, militares, chefes de setor, diretoras, gerentes, ou, quando são donas de casa, possuem responsabilidades sobre filhos, parentes, etc.

 Ou seja, no dia a dia exercem constantemente o poder, e o peso que este acompanha.

 Nada a ver com uma “alma submissa”, não concordam?

 Então, ao meu ver, essas mulheres (e, possivelmente também os homens submissos) tem no BDSM a oportunidade de experimentar uma outra polaridade. Despir-se do poder e entregá-lo à alguém. Perder o controle. Estar a mercê de um outro. Muito do prazer da submissão advém desta sensação de entrega.

 Cabe ao dom ou domme a quem é entregue este poder a responsabilidade pelo cuidado por quem se entrega a nós.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Falsos Doms - O Dom Sexo Fácil



 Hoje começo uma série de posts que visam alertar às submissas, principalmente àquelas que estão adentrando no mundo do BDSM agora, sobre o perigo dos falsos doms que abundam no nosso meio.

 O Dom Sexo Fácil normalmente leu alguns alguns contos na internet, talvez tenha lido 50 tons de Cinza e, sem nenhuma leitura mais aprofundada sobre o tema, já se considera “O Dom”.

 A forma mais fácil de identificar este falso dom é na sua pressa. Ele tem muita pressa em saber tudo sobre a sub, pressa em encontrá-la, pressa em amarra-la, pressa em fodê-la.

 Se a submissa, por qualquer motivo, não corresponde a esta pressa, ele a deixa de lado, procurando uma “submissa de verdade” que queria “viver algo real” e não “só ficar de papinho na internet”.

 Caso não esteja claro, todas as afirmações entre aspas no parágrafo anterior são respostas típicas desse tipo de falso dom.

 Ao cair nas mãos desse falso dom, a sub terá uma experiência insatisfatória, normalmente será largada ferida emocionalmente e sem muito cuidado, tudo isso fruto da falta de conhecimento e experiência desse falso dom.

 Se começar algo dele, como palavras-chave, contrato, carinho, explicações, reciprocidade, etc. A sub receberá reprimendas como “uma sub não deve contestar um dominador”, “você ousa me dizer o que eu devo ou não devo fazer?”, “Eu não preciso de palavra-chave, eu so que estou fazendo”.

 Após algumas sessões, todas insatisfatórias, mero arremedo do que é uma verdadeira relação BDSM, este falso dom irá se distanciar, não ligará com tanta frequência e brigará se ela ligar, até desaparecer, por fim, em busca de outra mulher que lhe dê o que realmente procura: sexo fácil e sem qualquer responsabilidade ou compromisso para ele.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Eu sou um Monstro?

Doze anos atrás eu me descobri Dominador.

 Não foi meu primeiro contato com o BDSM. Contarei essa história em outra oportunidade, mas foi a primeira vez que eu descobri o que isso significava e me identifiquei com o papel de Dominador.

 Sempre gostei de ler contos eróticos e a internet me deu acesso a uma infinidade deles. (Vocês não imaginam como era difícil conseguir pornografia antes da internet, meninos e meninas). E foi explorando um site de contos eróticos que eu vi uma categoria chamada “sadomasoquismo” e resolvi dar uma olhada, apenas por curiosidade.

 Eu já havia ouvido falar do Marquês de Sade e sabia, tanto quanto um baunilha pode saber, do que se tratava, mas achei que as histórias ali me despertariam mais riso do que tesão. 

 Eu não podia estar mais enganado.

 Logo fui atraído pelas históricas de bondage, e me excitava com as cenas descritas, sempre me colocando no papel do Dominador.

 Meu tesão ia a mil!

 Mas também ia a minha culpa.

 Muitas vezes, após me masturbar lendo uma história dessas, sentia-me mal, como se estivesse me tornando algum tipo de monstro.

 Não parei de ler essas histórias, entretanto. Algo havia se libertado dentro de mim. E se recusava a ser aprisionado novamente.

 Com o passar do tempo fui notando que as histórias que me deixavam mal, algumas até com repulsa, eram as que envolviam alguma forma de sexo forçado ou violência de algum tipo (física ou moral), e as que me davam mais prazer eram exatamente aquelas onde a mulher também sentia prazer, preferencialmente participando de algum jeito com o que acontecia. Isso acalmou um pouco a turbulência que sentia em minha alma. Afinal, se os dois sentem prazer, que mal haveria?

 Apesar que eu duvidava que alguém sentisse prazer em meio àquelas torturas (tolinho que eu era, não é mesmo?).

 Entrei em um chat sobre o assunto e fui conhecendo pessoas que foram me apresentando este mundo. Indicaram-me sites onde poderia ler a respeito, e li avidamente.

 Descobri o SSC (que eu já tinha em meu coração, mesmo sem saber), as práticas, algumas com que me identifiquei e outras não, e também descobri coisas com as quais não concordei. Até hoje não concordo. Mas, mais importante, fui me descobrindo nesse processo.

 Eu não era um monstro. Eu sou um Dominador.

 Compartilho esta experiência aqui na esperança que venha ajudar outras pessoas que estão adentrando neste mundo e se fazendo perguntas similares. Sou um monstro? Estou louco? Será que isso é normal?

 Busque quem você é! Isso é o mais importante.

domingo, 29 de maio de 2016

Desabafo

Esse não é o post que eu planejava fazer. Tinha um outro post preparado na semana passada, mas tive de reescreve-lo e ia lança-lo na quarta-feira. Mas diante dos acontecimentos dessa semana, decidi guardar o texto que tinha preparado para um outro momento.

Se você não passou férias em Marte, já soube do caso da adolescente estuprada em Santa Cruz, aqui no Rio de Janeiro.

Pois é. É disso que eu quero falar.

A menina, além de ser menor de idade, estava drogada e foi abusada (sim, abusada) por mais de 30 criaturas (porque me recuso a chama-los de "homens") que a deixaram com um rompimento no útero, além de gravar o ato e expo-la na internet.

Aí uma galera começa a tentar justificar.

Dizendo que ela era drogada. Que já tem uma filha. Que era miniputa. Mas dos 33 caras nada se fala.

O delegado abriu o depoimento da vítima perguntando se ela tinha por hábito transar com vários homens. MESMO QUE TIVESSE! Não justifica!

Nada justifica.

Você pode me dizer "Ah! Mas tem mulheres que curtem esse tipo de coisa."

Sim, existem. Mas essas mulheres fazem isso de forma CONSENSUAL. Elas escolhem. Essa menina não escolheu. Ela estava drogada demais para escolher. E ninguém escolhe ter um rompimento de útero.

Algumas pessoas relacionam esse tipo de caso com o BDSM. Existem práticas em nosso meio similares a um estupro. Existe rapeplay, existe dominação, existe humilhação sexual. Mas o diferencial está exatamente na consensualidade. Todos os envolvidos estão conscientes e concedendo participar daquele ato em busca de um prazer mútuo.

Estupro não é BDSM. Estupro não tem a ver com sexo. Estupro não tem a ver com prazer. Estupro tem a ver com violência. Pura e simples.

E só para deixar claro: A culpa NUNCA é da vítima.

Desculpem, mas eu precisava desabafar.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Dicas para Submissas



O sucesso da trilogia 50 tons de cinza, tanto nos livros quanto no cinema, trouxe uma popularização do tema BDSM, retirando um pouco do tabu que sempre carregou.

Este, talvez, tenha sido o único benefício que esta trilogia trouxe.

Mas este post não é sobre 50 tons.

Com esta popularização, um número crescente de pessoas começou a mergulhar de cabeça neste nosso mundo, adquirindo coragem para buscar aquilo que antes ficava relegado a um desejo proibido.

Este post pretende dar uma série de dicas àquelas que desejam viver a posição de submissa.

NOTA: Apesar deste post focar na relação D/s entre um dominador e uma submissa, acredito que seu conteúdo, parcial ou totalmente, possa ser utilizado por praticantes de outras modalidades de BDSM.

1) Conheça seus limites, conheça seus desejos.

A primeira coisa para qualquer um que adentre nesse mundo, é a pesquisasobre o tema misturado a busca por autoconhecimento. Para quem irá assumir a posição de submissa isso é ainda mais imporante, afinal será o seu corpo que será castigado, figurativa e literalmente.

É preciso que a sub busque as práticas que deseja realizar, aquelas que teme e as que repudia.

O dominador que a tomar para si poderá, com responsabilidade, forçar alguns destes limites, inclusive para auxiliar a submissa a descobrir seus limites, mas ele precisa do feedback da submissa.

O que nos leva ao nosso próximo tópico.

2) Use a PORRA da palavra de segurança.

A palavra de segurança existe por um motivo.

Se você se sentir demasiadamente desconfortável, se o seu medo ou dor estiverem insuportáveis ou se você não estiver sentindo prazer (voltaremos a isso em breve), use a PORRA da palavra de segurança e termine com tudo.

Você não é obrigada a aguentar algo que te faz mal.

Eu sei que existem pessoas que em suas relações BDSM não possuem palavras de segurança. Pessoalmente acho isso de uma grande irresponsabilidade, acima de tudo com inicantes em nossa prática.

3) Cuidado com quem fala.

Boa parte dos contatos dentro do BDSM costuma acontecer pela internet, então muito cuidado com informações e fotos para supostos "dons", pois há muito pireta se dizendo dom por aí.

Pensei em colocar algumas histórias dessas criaturas aqui, mas são tantas que vai ser preciso outro post (ou uma série deles) só sobre esse assunto.

Por hora, fica o cuidado para não passar dados pessoais de cara e nem muito menos dados bancários.

Se o cara já chega te chamando de cadela e dizendo para você se ajoelhar aos pés deles sem nem ao menos um "oi, tudo bem?" já é um bom sinal de "corre".

4) Cuidado ao encontrar pessoalmente um Dom.

Se é preciso cuidado ao falar com um Dom pela internet, esse cuidado tem de ser ainda maior para encontrá-lo pessoalmente.

Marque um lugar público. Não importa o quanto ele insista para que vocês já façam logo a sua primeira sessão.

Cheque se há química e entrosamento.

Avise alguém da sua confiança que você vai encontrar alguém que conheceu na internet.

Tem muito maluco por aí e você não vai querer descobrir que o Dom que você conheceu é um deles quando você estiver toda amarrada, vendada e amordaçada, não é?

Se possível, converse com outros dons e subs sobre o Dom que você conheceu e veja se podem te dar algumas referências a respeito dele.

5) Você tem direito ao seu prazer.

Anos atrás, quando estava começando no BDSM, conheci uma submissa que me revelou que, em sua primeira sessão, recebera 255 chineladas. Ela sabia o número exato porque fora obrigada a contá-las.

Perguntei a ela se havia sentido prazer com aquilo. Ela me respondeu que não, muito pelo contrário. Questionei por que ela não falou a palavra de segurança e terminou com aquilo. Ela me disse que "achava que era assim mesmo".

Uma ideia muito difundida no nosso meio é de que "o prazer de uma submissa deve ser o prazer de seu senhor e nada mais". Eu acho essa ideia imbecil.

Sim, uma submissa sente prazer com o prazer de seu dominador. Da mesma forma que um dominador sente prazer com o prazer da submissa sob seu jugo, mas elas também tem direito a sentir prazer com a relação vivida entre vocês e de sentir prazer com o seu próprio corpo.

Por outro lado, se a relação não lhe der prazer, ou por falta de química ou por falta de manejo do dominador, ou por outro motivo qualquer, a submissa tem o direito de terminar e buscar alguém que a faça feliz.

Afinal, é atrás da felicidade que todos estamos, não é mesmo?

domingo, 8 de maio de 2016

BDSM e o Poder

Quem tem o poder em uma relação BDSM?

Pode parecer uma pergunta simples, mas não é.

A resposta simples seria: quem estiver no papel top. O dominador ou dominadora, bondagista, sádico. Afinal estes tem o poder de dominar, comandar, amarrar, torturar.

Mas quem pensa isso esquece de uma coisa fundamental: A palavra de segurança.

Quem assume o papel de bottom tem o poder de, literalmente com uma palavra, terminar tudo que está sendo feito. Algemas são abertas, cordas desamarradas, chicotes largados.

Sim, o top poderia ignorar a palavra de segurança e continuar a seu bel prazer, mas isso já não seria BDSM, seria violência pura e simples.

Então, é o bottom quem tem o poder?

Seria uma certa contradição, não?

Mas sem permitir, sem entregar o poder, o bottom não pode viver sua condição de bottom. Isso exige que conceda o poder sobre si a alguém que lhe domine, amarre, torture.

Então repito: Quem tem o poder em uma relação BDSM?

Como em qualquer relação, a resposta é na própria relação. No “espaço” entre aqueles que se relacionam.

Top e Bottom só o são um para o outro porque há um acordo entre eles de como funciona sua relação. Um contrato. Top só tem o poder que for entregue por Bottom.


domingo, 3 de abril de 2016

Contrato

Existe, principalmente nos últimos tempos,  uma imagem que povoa o imaginário daqueles que adentram no mundo do bdsm.

A mulher submissa entra em algum lugar, seja o apartamento de seu dono, um quarto de motel ou uma dungeon pela primeira vez, e o dominador a arrebata, tomando-a de pronto, rapidamente ele a amarra, chicoteia, em suma, ele a domina de forma rápida e avassaladora. É quase uma versão bdsm do amor a primeira vista.

Não é que essa imagem não possa acontecer, mas até chegar a ela MUITA conversa aconteceu antes. E é isso que chamamos de contrato.

O contrato é onde ficam estabelecidas as regras da relação bdsm. Os desejos de ambas as partes, assim como os limites, tanto aqueles que podem ser testados quanto aqueles que devem ser deixados em paz. E isso tanto do lado da submissa quanto do dominador (falarei em outro momento sobre os limites do dominador).

Também, no contrato, é onde os parâmetros da relação fora da sessão bdsm também são decididos. Se a relação é restrita ao bdsm, se há um envolvimento afetivo ou amoroso de alguma forma entre as partes, quais os limites também de interação. Isso é particularmente importante quando dominador ou submissa possuem relações "baunilha", ou seja fora do âmbito do bdsm.

Tudo isso é importante para impedir que uma relação bdsm se torne uma relação abusiva. Infelizmente muitos dos novos doms e subs que adentram esse mundo, contaminados pela visão que o mundo baunilha tem de nós, ainda não compreendem a diferença entre esses dois extremos, e essa diferença está exatamente no contrato.

No contrato é preciso decidir a safeword, a palavra de segurança. Uma palavra (ou mais de uma, se assim desejarem) fora do contexto da sessão que signifique que algo não está bem. Seja porque a dor está insuportável, seja porque alguma lembrança psicológica foi ativada, seja porque os sentimentos não estão alinhados com a prática naquele momento. Até porque, se uma submissa começar a gritar "Pare! Não estou aguentando mais!" enquanto estou a torturando, isso é música para os meus ouvidos, mas se ela fala, mesmo que em um sussurro "vermelho", é o momento de parar tudo e ver o que está acontecendo.

Nota: Estabelecer um movimento corporal como uma segunda safeword é uma boa ideia para quem curte uma mordaça.

Já ouvi falar de pessoas que tem relações bdsm e não possuem palavras de segurança. Não concordo com esta prática. Mesmo que essas pessoas tenham um grau de intimidade e relação onde eles nunca precisarão de uma safeword, estabelecer uma, na minha opinião, é uma das bases para uma relação sã, segura e consensual.

O contrato pode ser escrito ou pode ser apenas uma conversa onde dominador e submissa estabelecem o máximo de detalhes sobre sua relação. De qualquer forma, é uma longa conversa e raramente termina ao "assinar" o contato, pois as relações são coisas vivas, estão sempre mudando, novas vontades e desejos podem surgir, assim como novos limites. Claro que isso não impede momentos em que esta conversa é feita sem a menor troca de palavras.

Apesar de ter usado apenas os termos dominador e submissa, o contrato é importante para qualquer relação top/bottom, quaisquer que sejam as denominações e práticas. Aliás, acho que até relações baunilhas deveriam ter algo assim. Com certeza se beneficiariam muito.

domingo, 27 de março de 2016

São, Seguro e Consensual.

Ao entrar no mundo do bdsm, a primeira coisa que você deve aprender é o SSC. Se você nunca viu esta sigla nem faz ideia do que ela significa, você está estudando e/ou praticando qualquer coisa, menos BDSM.

SSC é a sigla para São, Seguro e Consensual. Esta é (ou, ao menos, deveria ser) a base de todo e qualquer relacionamento BDSM. Na verdade, de todo e qualquer relacionamento, mas em BDSM isso se torna mais necessário e mais aberto.

Se você é top (seja bondagista, dominador, ou sádico) isso é ainda mais importante. Pois cabe a você a responsabilidade de conduzir o relacionamento e de preservar estas regras dentro dele. E se você é botton, preste muita atenção se seu top segue e respeita estas regras, se não for o caso pule fora pois essa relação é uma furada.

O primeiro S da sigla se refere a ser São. O que significa que o relacionamento deve ser estabelecido com clareza de pensamento e com a consideração pela saúde (física e mental) de todos os envolvidos. Isso tem a ver com tomar cuidados anteriores e posteriores para que as práticas não causem danos ou permanentes ou que possam prejudicar a saúde dos envolvidos. Também faz parte deste parâmetro a necessidade, principalmente de top, de manter a consciência limpa durante as práticas. Pessoalmente não consigo conceber a mistura entre bdsm e álcool e outras drogas exatamente pelo perigo que isso pode representar para que uma prática saia do controle.

O segundo S fala de Segurança e, obviamente, está intimamente ligado ao anterior. Mais especificamente fala da atenção a segurança física e emocional dos envolvidos. Particularmente os top devem prestar atenção nas práticas, evitando ou minimizando riscos desnecessários a suas botton. Não apenas de seus corpos, mas também (e talvez principalmente de suas almas). E apesar da confiança que bottons devem ter em seus tops, é importante que estes também tenham esse conceito em mente para manterem a atenção em seus próprios limites.

Por fim, o C é de Consensual e esta é uma palavra que vocês virão até se cansar aqui neste blog. TODA a prática BDSM envolve consensualidade. Se não for assim é violência, não é BDSM! É por isso não chamamos os botton de dominados ou dominadas, mas de submissos e submissas, pois estes escolhem se submeter. E um dominador ou dominadora só o é graças a esta escolha. Aqui também temos a importância da criação de uma palavra de segurança, alguma palavra fora de contexto que indique ao top que algum limite foi ultrapassado. ou para avisar que algo está causando uma sensação ruim, desagradável, seja o afloramento de questões psicológicas pessoais, seja o sofrimento físico além do suportável.

Tenho certeza de que muitos devem ter percebido como esses fatores acabaram misturados no texto acima, e é isso mesmo. SSC são vértices de um mesmo triângulo que, repito, são (ou deveriam ser) a base para nossos relacionamentos e permitem que o BDSM seja vivido de forma prazerosa e respeitosa para todos.

Quaisquer dúvidas ou sugestões, por favor deixem nos comentários.

Até a próxima.

domingo, 13 de março de 2016

Começando do Início - O que é BDSM?

O único lugar por onde podemos começar é do começo.

BDSM é uma sigla formada pela junção de três outras siglas. BD se refere a Bondage e Dominação, DS a Dominação e Submissão, e SM a Sadismo e Masoquismo. O BDSM é a reunião dessas práticas e de seus praticantes, mesmo que nem todos do universo BDSM se relacionem com todos as dimensões de seu espectro. Eu, por exemplo, tendo muito mais ao eixo DS e BD do que ao SM.

Deixe-me apresentar cada uma dessas dimensões individualmente para vocês.

Bondage é a prática da amarração erótica. Envolve tanto cordas quanto algemas, afastadores, correntes, e quaisquer outros materiais disponíveis no momento, como lençóis, faixas, tecidos, cachecóis, etc. Seus praticantes são chamados de Bondagistas (top) e Bondagé ou Bondagette (bottom). Já a Disciplina, outro extremo da dimensão BD se refere ficar em posições por ordem do top apenas ou a obediência a certas regras de comportamento pré-estabelecidas no contrato, incluindo formas de punição caso não sejam seguidas. O prazer desta dimensão advém do controle físico exercido do top sobre bottom. Nestas práticas a dominação é diretamente sobre o corpo, seja através da restrição total ou parcial de movimentos, seja pela restrição ou exigência de comportamentos e posturas específicas.

Já na dimensão DS, a relação de dominação e submissão é atravessada muito mais por um viés psicológico. Aqui também podem existir regras de conduta pré-estabelecida (e você que me lê perceberá não só aqui o quanto estas três dimensões do BDSM se entrelaçam), mas aqui o prazer está ligado a um controle mais profundo. Indo além do corpo e envolvendo a exploração, por parte do top, dos desejos, medos e sensações de bottom. Aliás, os praticantes desta modalidade são chamados de Dom ou Domme (top) e submissos e submissas (bottom). Há também aqueles top que preferem títulos como Senhor, Senhora, Lord, Rainha, mas isso é muito mais uma escolha estética e de identificação pessoal do que técnica.

Por fim, Sadismo e Masoquismo é a prática da busca do prazer através do estímulo da dor. Pode parecer paradoxal para os baunilhas (aqueles que não conhecem o mundo BDSM), mas não é algo tão estranho assim, considerando que os mesmos circuitos neurais que transmitem a dor através do nosso corpo são os que também carregam o prazer. Tops que dominem esta arte podem explorar este limiar entre as duas sensações causando uma combinação de prazer e gozo nos bottoms que se entregam a estes. SM também é a dimensão que traz vários dos castigos e punições utilizados pela desobediência nas outras dimensões, então vejam novamente quão misturadas elas estão e a separação é mais para uma questão de explicação didática do que de vivência. Os praticantes do SM, como seria de se esperar, são chamados de Sádicos e Sádicas (top) e Masoquistas (bottom).


Meu nome é Ðom Magus e esta é a minha torre. Usarei este espaço para compartilhar um pouco do que aprendi nesses anos pesquisando e vivendo o BDSM. Algumas postagens serão técnicas e didáticas como essa, outras falarão da minha experiência pessoal ou de pessoas que conheci. Sintam-se livres para fazer perguntas nos comentários e propor temas.