O sucesso da trilogia 50 tons de cinza, tanto nos livros quanto no cinema, trouxe uma popularização do tema BDSM, retirando um pouco do tabu que sempre carregou.
Este, talvez, tenha sido o único benefício que esta trilogia trouxe.
Mas este post não é sobre 50 tons.
Com esta popularização, um número crescente de pessoas começou a mergulhar de cabeça neste nosso mundo, adquirindo coragem para buscar aquilo que antes ficava relegado a um desejo proibido.
Este post pretende dar uma série de dicas àquelas que desejam viver a posição de submissa.
NOTA: Apesar deste post focar na relação D/s entre um dominador e uma submissa, acredito que seu conteúdo, parcial ou totalmente, possa ser utilizado por praticantes de outras modalidades de BDSM.
1) Conheça seus limites, conheça seus desejos.
A primeira coisa para qualquer um que adentre nesse mundo, é a pesquisasobre o tema misturado a busca por autoconhecimento. Para quem irá assumir a posição de submissa isso é ainda mais imporante, afinal será o seu corpo que será castigado, figurativa e literalmente.
É preciso que a sub busque as práticas que deseja realizar, aquelas que teme e as que repudia.
O dominador que a tomar para si poderá, com responsabilidade, forçar alguns destes limites, inclusive para auxiliar a submissa a descobrir seus limites, mas ele precisa do feedback da submissa.
O que nos leva ao nosso próximo tópico.
2) Use a PORRA da palavra de segurança.
A palavra de segurança existe por um motivo.
Se você se sentir demasiadamente desconfortável, se o seu medo ou dor estiverem insuportáveis ou se você não estiver sentindo prazer (voltaremos a isso em breve), use a PORRA da palavra de segurança e termine com tudo.
Você não é obrigada a aguentar algo que te faz mal.
Eu sei que existem pessoas que em suas relações BDSM não possuem palavras de segurança. Pessoalmente acho isso de uma grande irresponsabilidade, acima de tudo com inicantes em nossa prática.
3) Cuidado com quem fala.
Boa parte dos contatos dentro do BDSM costuma acontecer pela internet, então muito cuidado com informações e fotos para supostos "dons", pois há muito pireta se dizendo dom por aí.
Pensei em colocar algumas histórias dessas criaturas aqui, mas são tantas que vai ser preciso outro post (ou uma série deles) só sobre esse assunto.
Por hora, fica o cuidado para não passar dados pessoais de cara e nem muito menos dados bancários.
Se o cara já chega te chamando de cadela e dizendo para você se ajoelhar aos pés deles sem nem ao menos um "oi, tudo bem?" já é um bom sinal de "corre".
4) Cuidado ao encontrar pessoalmente um Dom.
Se é preciso cuidado ao falar com um Dom pela internet, esse cuidado tem de ser ainda maior para encontrá-lo pessoalmente.
Marque um lugar público. Não importa o quanto ele insista para que vocês já façam logo a sua primeira sessão.
Cheque se há química e entrosamento.
Avise alguém da sua confiança que você vai encontrar alguém que conheceu na internet.
Tem muito maluco por aí e você não vai querer descobrir que o Dom que você conheceu é um deles quando você estiver toda amarrada, vendada e amordaçada, não é?
Se possível, converse com outros dons e subs sobre o Dom que você conheceu e veja se podem te dar algumas referências a respeito dele.
5) Você tem direito ao seu prazer.
Anos atrás, quando estava começando no BDSM, conheci uma submissa que me revelou que, em sua primeira sessão, recebera 255 chineladas. Ela sabia o número exato porque fora obrigada a contá-las.
Perguntei a ela se havia sentido prazer com aquilo. Ela me respondeu que não, muito pelo contrário. Questionei por que ela não falou a palavra de segurança e terminou com aquilo. Ela me disse que "achava que era assim mesmo".
Uma ideia muito difundida no nosso meio é de que "o prazer de uma submissa deve ser o prazer de seu senhor e nada mais". Eu acho essa ideia imbecil.
Sim, uma submissa sente prazer com o prazer de seu dominador. Da mesma forma que um dominador sente prazer com o prazer da submissa sob seu jugo, mas elas também tem direito a sentir prazer com a relação vivida entre vocês e de sentir prazer com o seu próprio corpo.
Por outro lado, se a relação não lhe der prazer, ou por falta de química ou por falta de manejo do dominador, ou por outro motivo qualquer, a submissa tem o direito de terminar e buscar alguém que a faça feliz.
Afinal, é atrás da felicidade que todos estamos, não é mesmo?