domingo, 21 de abril de 2019

Antes do Consensual



SSC
São, Seguro e Consensual
Dentro do BDSM não existe regra mais importante do que essa.
E nenhuma relação pode ser considerada verdadeiramente BDSM se não atender a estes três critérios.
Sempre lembramos da consensualidade, mas antes que uma relação possa ser consensual, é preciso que ela seja tanto sã quanto segura para todos os envolvidos.
Uma relação abusiva não é nem sã, nem segura.
Uma relação de co-dependência não é sã, nem segura.
É preciso de que todos os envolvidos na relação tenham consciência do contrato e da relação estabelecidas.
Também se faz necessário que se estabeleçam limites a fim de garantir a segurança e o bem estar (físico e mental) de todos os participantes na relação ou na sessão.
Se esses critérios não forem alcançados não temos uma relação BDSM. Não importa quantas cordas, algemas e palmatórias estejam envolvidas.
Na verdade nenhum relacionamento saudável, seja este baunilha ou BDSM, pode existir sem que esses três pré-requisitos sejam cumpridos.
Teremos apenas abuso e violência.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

50 Tons de Merda

50 Tons de Merda

 Depois de uma ausência causada por uma série de pequenos problemas de saúde, problemas profissionais e mais aquela bagunça típica de final de ano, eis me aqui de volta, e aos poucos retorno à rotina de postagens.

 Quem me conhece de verdade sabe do meu desagrado com a série de livros 50 Tons de Cinza. Então aproveitando o lançamento do segundo filme baseado nela vou deixar aqui bem claro minha opinião sobre isso.

 Em primeiro lugar, vamos falar do lado positivo. 50 tons tornou popular o bdsm, o que fez milhões de pessoas se interessarem pelo assunto e pesquisarem a respeito. Com isso, muitas pessoas puderam explorar e conhecer a própria sexualidade e buscarem seus desejos.

 O problema é que isso foi feito com um livro, que além de ser horrivelmente mal escrito, retrata uma relação abusiva com um personagem que, disfarçado de dominador, comete abusos emocionais sobre a “mulher que ama”. E muita gente pensa que isso é bdsm.

 Não é!

 Grey não respeita palavras de segurança ou limites da mulher que se entrega para ele. Persegue ela como um psicopata. É um maníaco por controle que se diz dominador e usa o dinheiro para mostrar poder.

 “Dominadores” como ele tem muitos por aí. Gente que não entende nem os conceitos mais básicos do BDSM como o fato de ser SÃO, SEGURO E CONSENSUAL!!!!

 É o livro e o filme de uma relação abusiva, nada mais do que isso.

 Então, por favor, se você está entrando no mundo do BDSM por causa dessa história, pesquise mais, desenvolva empatia, e lembre sempre da importância da CONSENSUALIDADE de qualquer relação.

Podem deixar que se vocês não aprenderam isso ainda, eu vou continuar repetindo até vocês aprenderem.

domingo, 30 de outubro de 2016

O Meu, O Seu, O Nosso Prazer

Poucos chavões me irrita mais no mundo BDSM do que “o meu prazer é o seu prazer.”

Esta frase costuma ser dita por mulheres submissas como uma demonstração de sua devoção e entrega a seus donos. Representa que o prazer delas está puramente em servir de instrumento para que estes tenham o seu próprio prazer.

Como se a submissa não tivesse direito ao próprio prazer.

Alguns doms reforçam essa crença ao repetir uma variante desse chavão: “O seu prazer deve ser o meu prazer.” Algo como “você deve ficar feliz em me servir.” o que acaba sendo uma forma desses dominadores se desresponsabilizam pelo prazer de suas submissas.

Aí é muito fácil, né?

Eu dou uns tapas e chicotadas. Sou chupado, fodo com força, gozo e a submissa que se dane. E ela que fique feliz com isso, afinal “o prazer dela é o meu prazer”. E infelizmente tem muito “dominador” por aí que pensa exatamente assim.

Acho que o ponto principal do BDSM está na relação estabelecida. E como uma relação, para além do meu ou do seu prazer, o foco deve ser o NOSSO prazer.

Como dominador, um dos meus prazeres é o de controlar as sensações da mulher que se entrega a mim. Causar-lhe dor, vergonha, medo e também prazer.

Inclusive há poucas coisas que me causam mais prazer do que conduzir uma mulher a um orgasmo avassalador e saber que fui o responsável.

O meu prazer não é o prazer dela.

O prazer dela não é o meu prazer.

Mas o NOSSO prazer é mútuo!

domingo, 16 de outubro de 2016

O que é sexo?

Outro dia vi uma pesquisa em que a maioria dos homens considera que sexo é apenas quando há penetração, mais especificamente quando um homem penetra uma mulher com seu pau, porque para a maioria dos homens apresentados nessa pesquisa penetração com dedo, língua e brinquedos não vale. Para começar essa é uma definição restritiva para caralho (com o perdão do trocadilho). Reduz o sexo à um único ato, à uma única forma, e à uma única combinação. Além de ser uma ideia muito da preconceituosa, é restritiva à beça. Chego a sentir pena desses homens. E mais pena ainda das mulheres que concordam com eles. Porque não se enganem, elas existem. Para mim? Para mim sexo vai muito além do pau ou da buceta ou do cu. Para mim sexo está nas preliminares, nos toques, nas bocas, nos sabores e odores. Mas também sexo está para além disso. Para mim sexo está no fetiche, na fantasia, no pensamento, na criação, mas também está para além disso. Sexo começa no olhar, na voz, no movimento, na menção ao toque. Se você nunca experimentou arrepiar ou ser arrepiado ou arrepiada por isso, você nunca soube o que verdadeiramente é sexo. Sinto muito.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Falsos Doms: O Dom RH

"Vejo aqui pelo seu currículo que você tem apenas uma experiência geral e básica de spanking. Bom, eu sinto informar, mas para poder preencher a vaga de minha submissa se faz necessária uma experiência avançada nesta área, além de uma especialização em canning."

A fala acima não é totalmente real, mas é bem próxima a recebida por algumas submissas com quem converso.

Essa é a fala do tipo de Falso Dom que eu chamo de "Dom RH", pois, assim como um profissional de recursos humanos em uma empresa, este falso dom quer alguém que se encaixe em todos os pré-requisitos para a vaga de sua submissa.

Este falso dom se considera muito experiente, e talvez o seja, mas lhe falta a paciência de acolher uma submissa não tão experiente, ou com experiências diversas da dele, para adestrá-la e introduzi-la a certas práticas ou ensiná-la sobre suas preferências (isso sem falar de descobrir as dela).

Também falta a este falso dom a humildade para reconhecer que BDSM é uma relação e que ninguém é dominador sozinho. Sendo assim, é preciso estar aberto para os limites e desejos da submissa a fim de poder ampliar as experiências desta relação que ambos vivem juntos.

Muitas vezes este falso dom não tem a experiência que tanto proclama. Preso a um ideal do que é uma "verdadeira relação BDSM". Com uma lista de requisitos que devem ser cumpridos para que a relação se enquadre em seu ideal.

A vantagem deste falso dom é que, normalmente, ele é fácil de se livrar. Basta não corresponder às suas muitas expectativas.

A desvantagem é a quebra na auto-estima da submissa que ele rejeita.

Então, submissa que estiver me lendo, se você já encontrou um "dominador" desses, quero lhe dizer: O problema não é com você! Algum dia você irá encontra o dominador que terá a paciência e a responsabilidade de te conduzir e adestrar da forma que te for mais prazerosa.

Termino esse post pedindo para que deixem dúvidas e sugestões nos comentários abaixo.

Grande abraço!

domingo, 25 de setembro de 2016

Práticas - Bondage

É a terceira vez que escrevo este post.

 Quando decidi fazer uma série de postagens sobre as práticas do BDSM eu sabia que precisava começar pelo Bondage. Simplesmente porque esta foi, possivelmente, a primeira prática a me atrair para este mundo. talvez até mais do que a dominação psicológica, sobre a qual falarei em um outro post.

 Então, qual o problema que me fez reescrever tantas vezes esse post sobre um assunto que tanto me interessa?

 A resposta é que preciso confessar uma coisa. Apesar de ser a prática que mais me fascina no BDSM, fascinação essa que vem de um tempo que eu nem sabia o que era nem como se chamava, considero que ao longo dos anos minha prática com ela foi deveras limitada.

 Pratiquei com algemas, lencóis, echarpes, fitas e similares, mas faltaram-me a coragem, o conhecimento e a oportunidade de me aprofundar no caminho das cordas que tanto marcam esta prática, e de aprender aquelas belas amarrações. Nem vou me atrever a falar aqui sobre o shibari, técnica similar ao bondage, mas muito mais complexa e de uma admirável beleza estética.

 Bom, se você veio aqui saber um pouco sobre essa prática, vou compartilhar o que sei e, no fim, terei um presente para você.

 Bondage é a arte da imobilização com finalidade erótica. Sua principal função é deixar a pessoa imobilizada (chamada de bondagê ou bondagette, mas aqui chamarei de submissa por uma questão de preferência pessoal) a mercê do/da bondagista (que chamarei de agora em diante de dominador pelos mesmos motivos).

 Em última instância, o bondage é uma entrega de controle sobre o próprio corpo.

 O dominador, de posse desse controle, pode realizar ou negar estímulos, utilizar de seus fetiches mais sádicos e/ou fazer uso de outras práticas sobre o corpo da submissa sem que esta tenha qualquer poder para impedí-lo (exceto, é claro, nossa boa e velha amiga, a palavra de segundaça.

 Outro uso do bondage, e aqui a minha supracitada falta de experiência resmunga, é o uso das cordas a fim estimular a submissa com nós bem colocados, amarrações ao redor dos seios e cordas que deslizem por áreas mais sensíveis do corpo dela a partir de seu, mesmo que limitado, movimento, principalmente quando este movimento visa ajustar-se a uma posição incômoda imposta por estas mesmas cordas.

 Entre as práticas comummente associadas ao bondage, e que ao longo do tempo comentarei aqui, estão:

 Spanking
Dominação Psicológica
Roleplay
Privação dos sentidos
Controle do Orgamo
Waxing (velas)
Entre Outras.




 Algumas precauções devem ser seguidas para a realização desta prática visando o “São, Seguro e Consensual”:

 Tenha uma relação de confiança mútua com a pessoa que irá te amarrar.
Estude antes de praticar.
Se você for imobilizar alguém pela primeira vez, comece devagar, não tente deixá-la totalmente imobilizada logo de cara. De preferência deixe formas de escapar que ela possa fazer sozinha.
Algumas pessoas tem dificuldade de lidar com cordas ou algemas de primeira. Use as roupas dela ou fitas. Essa dica é um complemento para a dica acima.
Com o tempo e a prática (tanto das cordas quanto da relação), poderá ousar mais. Como tudo no BDSM é uma questão de testar limites.
Se for usar uma mordaça, combine uma outra forma de “palavra de segurança” entre vocês. Um determinado movimento feito por uma parte do corpo que NÃO ficará imobilizada, por exemplo.
Se usar cordas, tenha uma corda a mão uma tesoura especial para cortá-las em uma situação de emergência.
Cuidado para não impedir a circulação.
Não comprima articulações.
Não deixe a pessoa amarrada sozinha. (nada impede de criar a ilusão que você a deixou, entretanto).

 Termino este post gigantesco por aqui, sabendo que estou longe de esgotar o assunto e prometo retomá-lo em um momento futuro.

 Deixem dúvidas e sugestões nos comentários abaixo e responderei tão rápido quanto possível.

 Por fim, deixo link para uma série de vídeos que encontrei no youtube com tutoriais passo a passo para a prática do bondage. Nunca é tarde para (re)começar a aprender.

 Grande abraço a todos.

domingo, 31 de julho de 2016

Almas Submissas


É comum se dizer, no BDSM, que algumas mulheres possuem “almas submissas”, como se ser sub ou dom fosse algo determinado desde o nascimento.

 Essa é uma visão muito pobre, em minha opinião.

 Acho que são muitos os fatores que determinam a nossa identidade. E nossa sexualidade é um desses fatores. É como se, ao termos contato com algo, uma imagem, um termo uma forma de agir, nós nos descobríssemos. Não como algo pré-determinado, mas como algo que buscávamos e nem sabíamos que estava lá.

 Comigo e meu lado dominador foi assim.

 Na minha experiência de doze anos no BDSM, em muitas conversas com submissas e com alguns submissos, percebi um certo padrão. Não que todas as submissas e submissos obedeçam a este padrão, mas uma grande parcela deles parece se enquadrar nele.

 A grande maioria das submissas que conheci ao longo dos anos vivem papéis de grande responsabilidade em suas vidas cotidiana. Normalmente em posições de comando. São médicas, advogadas, professoras, militares, chefes de setor, diretoras, gerentes, ou, quando são donas de casa, possuem responsabilidades sobre filhos, parentes, etc.

 Ou seja, no dia a dia exercem constantemente o poder, e o peso que este acompanha.

 Nada a ver com uma “alma submissa”, não concordam?

 Então, ao meu ver, essas mulheres (e, possivelmente também os homens submissos) tem no BDSM a oportunidade de experimentar uma outra polaridade. Despir-se do poder e entregá-lo à alguém. Perder o controle. Estar a mercê de um outro. Muito do prazer da submissão advém desta sensação de entrega.

 Cabe ao dom ou domme a quem é entregue este poder a responsabilidade pelo cuidado por quem se entrega a nós.